Tolos, fraudes e militantes

Tolos, fraudes e militantes

RecordRoger Scruton
R$ 49,90
  • Páginas
    406
  • Tamanho
    1,9 MB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2018

Ficha técnica

Sinopse

Roger Scruton investiga o que se tornou a esquerda hoje e como a ideologia evoluiu ao longo do século XX, fazendo uma dissecação política devastadora de suas estratégias e de seus objetivos. O grupo identificado como Nova Esquerda — composto de pensadores influentes como Jürgen Habermas, György Lukács e Jacques Derrida — apresentou um deslocamento tático no território do seu exercício de poder, desviando o foco da preocupação com a representação da classe trabalhadora para a proteção de mulheres, LGBTs e imigrantes. Com seu já conhecido estilo, Scruton pacientemente busca desmontar os argumentos da esquerda e, ao explicar as obras em termos usados pelos próprios formuladores, desnuda suas pretensões e suposições. 

Especificações do produto

  • Autor (a)Roger Scruton
  • GêneroDireito, Política e Ciências Sociais
  • EditoraRecord
  • Páginas406
  • Ano2018
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9788501114204
  • Tamanho1,9 MB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

A. Brito04/07/2023
Resenha com spoilers
Roger Scruton - Tolos, Fraudes e Militantes
É o livro de um grande filósofo e pensador, escrito com fluidez, elegância e demonstrando possuir um conhecimento sólido sobre as dezenas de autores que analisa e critica. Evidentemente que as críticas são sintéticas e direccionadas para determinados aspectos das obras, mesmo assim demonstra possuir um conhecimento profundo de autores como Foucault, Sartre, Lukács, Habermas, Gramsci, entre VÁRIOS outros. A sua visão conservadora é um contra poder cáustico em relação a um discurso que faz parte da realidade académica que ainda hoje quase poucos põem em causa. Mas Roger Scruton põe em causa de forma cáustica, acerada diria o pensamento de esquerda, e permite-se poucas derivas pessoais o que é ótimo, a coisa é no osso e com martelo. Adorei. Põe a nu a conivência de uma determinada esquerda intelectual com as atrocidades cometidas pelos governos comunistas totalitários. Estes autores admitem a violência, a destruição, o mal, a ausência de princípios, o vale tudo, a força bruta, a dissimulação, a mentira. Defendem que a legalidade é uma questão técnica e encontram alegremente soluções sem princípios, Lukács afirma mesmo que a perversidade é uma construção burguesa. Muitos intelectuais marxistas pactuaram alegremente com a violência perpetrada contra milhões em nome de ideias que queriam certas a todo o custo. Para além disto, que não é pouco, repetem o mesmo discurso de sempre partindo de uma lógica marxista já estafada, há aqui muito da mesma ladainha, dos mesmos conceitos, é o materialismo dialéctico, a luta de classes, o fetichismo da mercadoria – e mercadoria aqui é tudo. Partem do que conceberam e buscam razões que dêem razão ao que já sabem, e encontram sempre dados que corroboram as suas ideias pré-definidas. Roger lembra- e bem- que os conceitos têm de ser pesados e analisados para conhecer da sua pertinência e relação com a realidade. Parece-me excessivo dizer que os conceitos nada significam, mas têm de ter conta, peso e medida. Nenhum conceito explica toda a realidade, é por isso que os teóricos marxistas acabam muitas vezes a espancar a realidade para que a teoria acerte. Agora, também se podem fazer algumas críticas a Roger, como perguntar se ele não faz de certo modo o mesmo. O que descobre dentro do conservadorismo não está já dentro do conservadorismo? Os dados dele não corroboram o que já sabe? Um dos problemas dos autores marxistas é o seu absoluto, parece que as coisas são de uma só forma, não existem graus, nem outras realidades. E isto está muito bem documentado nas críticas do autor. Mas, por exemplo, na página 196 Scruton ironiza sobre a forma de auto escravidão em que segundo Adorno nos tornamos mercadorias fetiche, meros objectos de objectos. Mas depois, diz que é certo que nos transformamos em objectos só que não é através de fetichismos da mercadoria mas porque nos vendemos a ídolos de barro, como vem na Torá. Bem, em que ficamos, é certo ou não é certo tornarmo-nos objectos através da adoração que nutrimos por certos bens?, passando de certa forma a objectos desses objectos? Eu percebo a metáfora dos ídolos, mas dar uma explicação diferente de algo – e através da Torá (?) - não o torna menos real. Depois, Scruton não refere as pessoas exploradas ao longo de séculos, que nasciam, viviam e morriam na miséria. Pode concordar-se com a ideia de conservar, mas é necessária alguma mudança social que permita uma maior igualdade económica e social e cultural, para que não haja um predomínio de certas classes, de certos grupos eternamente. Para que não haja necessidade de revoluções é preciso uma maior igualdade de oportunidades. Os filhos dos que nunca tiveram nada não tem muito a perder e cortam com o passado habitualmente da única forma que conhecem que é destruindo, e os que sempre tiveram tudo fazem o que sempre fizeram, reprimem. É este ciclo que é preciso cortar. E Roger só fala das enormidades dos governantes de esquerda e nunca refere em momento nenhum toda a repressão que se exerceu durante séculos sobre os que pouco ou nada detinham. É preciso conservar, mas não uma paz podre. São as mudanças sociais reais e duradoiras que nos podem salvar de regimes indesejáveis. E a verdade é que a Europa está a ser, mais uma vez, ameaçada por regimes totalitários, sobretudo de direita, mas não só, e nada faz para se regenerar socialmente. Gostei de ver como Roger Scruton no último capítulo avança para uma explicação do que é o pensamento conservador. Um livro que deveria ser lido por toda a gente para, pelo menos, se ficar com uma maior abertura de ideias. E, diga-se o que se disser, numa coisa Scruton tem razão, devemos pensar como é que teorias que defenderam regimes monstruosos que falharam e cometeram crimes bárbaros podem continuar em termos académicos a ser a moda, a voz, o futuro, sem nunca se terem sequer repensado. Não estará na hora de encontrar alternativas? Um livro que se deve saber situar, mas que é fundamental para repensar a validade de certo tipo de pensamentos. O que, evidentemente, só é possível porque o livro está escrito de uma forma perfeitamente brilhante. Diz muito em muito pouco. A ler sem dúvida.
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