A casa das sete mulheres

BertrandLetícia Wierzchowski
R$ 31,43
  • Páginas
    462
  • Tamanho
    1,46 MB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2018

Ficha técnica

Sinopse

Relançamento do livro que deu origem à série da Rede Globo. Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar, e a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. A casa das sete mulheres conta o que não está nos livros de história sobre essa longa guerra civil do continente. Leticia Wierzchowski nos traz um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência sobre o destino de homens e de mulheres.

Especificações do produto

  • Autor (a)Letícia Wierzchowski
  • GêneroLiteratura e Ficção
  • EditoraBertrand
  • Páginas462
  • Ano2018
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9788528623420
  • Tamanho1,46 MB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

Giovana Santos 26/03/2026
Resenha com spoilers
Entre a Epopeia e a Repetição em "A Casa das Sete Mulheres"
Situada no contexto da Revolução Farroupilha, a obra "A Casa das Sete Mulheres" propõe-se a ser um romance histórico sobre o confinamento e a resistência feminina. No entanto, logo de início, o leitor percebe que o título é numericamente impreciso: a trama nos apresenta, na verdade, a oito mulheres fundamentais. Além de Dona Ana, Caetana, Maria Manuela, Manuela, Rosário, Mariana e Perpétua — todas parentes de Bento Gonçalves e reclusas na Estância da Barra —, a narrativa destaca a presença indispensável de Dona Antônia, irmã mais velha de Ana, Maria Manuela e Bento Gonçalves, e vizinha da Estância do Brejo, cuja relevância a eleva ao posto de oitava protagonista. No que tange ao estilo, nota-se uma tentativa da autora em emular a prosa de Érico Veríssimo. Contudo, essa inspiração carece de homogeneidade. O vocabulário oscila de forma irregular entre os capítulos, soando por vezes artificial, como se a voz narrativa mudasse sem uma justificativa estética clara. Essa falta de naturalidade estende-se à estrutura do texto, que abusa da repetição de frases e situações. Um exemplo latente dessa monotonia é o modus operandi da chegada de mensageiros: invariavelmente, um soldado traz notícias, e Dona Ana ordena que ele seja levado à cozinha para comer e trocar de pala. Embora tal recurso possa ser interpretado como uma metáfora para o tédio da espera durante a guerra, o resultado prático para o leitor é uma experiência de leitura cansativa. A verossimilhança e a coesão narrativa também enfrentam desafios: i) Os cadernos de Manuela apresentam um problema de perspectiva. A personagem relata em primeira pessoa eventos que não testemunhou, chegando a assumir a voz do próprio Bento Gonçalves, o que fere a lógica do gênero "diário"; ii) A obra falha, também, ao dosar o realismo com o místico. Elementos como o cometa avistado por Manuela no início ou a premonição de Dona Ana sobre a morte de seu filho Pedro são introduzidos, mas carecem de desenvolvimento ou conclusão, deixando pontas soltas na trama. Por fim, o manejo do vasto elenco de personagens revela-se problemático. Após apresentar uma multidão de figuras no início da história, a autora parece optar pelo descarte. Muitos personagens são eliminados ao longo do enredo não por uma necessidade dramática do ápice, mas por parecerem não ter mais função ou sentido dentro da economia narrativa da obra.
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Gislei Moura19/06/2023
Resenha com spoilers
Revolução Farroupilha
Vi o ebook disponível na Amazon e lembrei da minissérie da globo, por isso decidi fazer o download. O livro é bom, não tem grandes reviravoltas ou emoções. Não conheço bem a história da Revolução Farroupilha, mas foi legal ter um ponto de vista, mesmo que fictício, dos acontecimentos.
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Verônica Sparr29/07/2022
Resenha com spoilers
Para além de um romance, um enaltecimento à mulher do Pampa.
A escrita de Letícia Wierzchowski é extremamente rica e de uma poética que aquece o coração sem pedir passagem. O retrato de uma época marcante para o cenário nacional que, para além de demonstrar o descontentamento da burguesia com o Brasil Império, ainda retrata o desponte das lutas abolicionistas por todo o país (finalmente, não é mesmo?!). Sobre isso, preciso dizer, não há poética que cubra o embrulho e o asco que sinto ao ler sobre os tratamentos dos próprios brasileiros para com os negros à época, isso me faz questionar que espécie de ego frágil é esse nosso, sim, nosso porque sou branca e reconheço a posição que tenho ante os privilégios sociais, ainda hoje, que não são dados, aqui, neste solo às pessoas negras. Não há o que apague essa parte da história. Não há o que apague o que ainda hoje existe. Racismo não é findo. Ainda há luta. Sobre a trama, a ausência da linearidade das notas dos cadernos de Manuela enriquecem o contexto e o momento em que as coisas acontecem. As chegadas, as partidas, a vida e a morte. Letícia faz um retrato vívido de batalhas, mortes, baixas, de uma terra manchada pela luta. Tanto, que os homens são descritos como "crescidos para as pelejas". Ainda sobre Manuela, é de uma tristeza e poesia o tamanho do amor que essa senhora detinha por Giuseppe Garibaldi, que me fez pensar muito na peculiar e real figura histórica. Jamais saberemos as juras trocadas que a tocaram tão fundo a ponto de não mais conseguir se permitir outros tipos de felicidade, passou pela vida como Espectadora. Triste, ao mesmo tempo, belo. Nem preciso dizer como a narrativa torna Giuseppe Garibaldi uma figura extraordinária. Daqueles seres que o mito sobrepõe o homem que os veste. É um livro onde a mulher tem destaque. Feito por mulher, que toca aos sentimentos e as visões das mulheres e destaca que, na paz ou na guerra, a força de equilíbrio da mãe Terra, é sim a sua filha, a mulher.
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