Entre a Epopeia e a Repetição em "A Casa das Sete Mulheres"Situada no contexto da Revolução Farroupilha, a obra "A Casa das Sete Mulheres" propõe-se a ser um romance histórico sobre o confinamento e a resistência feminina. No entanto, logo de início, o leitor percebe que o título é numericamente impreciso: a trama nos apresenta, na verdade, a oito mulheres fundamentais. Além de Dona Ana, Caetana, Maria Manuela, Manuela, Rosário, Mariana e Perpétua — todas parentes de Bento Gonçalves e reclusas na Estância da Barra —, a narrativa destaca a presença indispensável de Dona Antônia, irmã mais velha de Ana, Maria Manuela e Bento Gonçalves, e vizinha da Estância do Brejo, cuja relevância a eleva ao posto de oitava protagonista.
No que tange ao estilo, nota-se uma tentativa da autora em emular a prosa de Érico Veríssimo. Contudo, essa inspiração carece de homogeneidade. O vocabulário oscila de forma irregular entre os capítulos, soando por vezes artificial, como se a voz narrativa mudasse sem uma justificativa estética clara. Essa falta de naturalidade estende-se à estrutura do texto, que abusa da repetição de frases e situações.
Um exemplo latente dessa monotonia é o modus operandi da chegada de mensageiros: invariavelmente, um soldado traz notícias, e Dona Ana ordena que ele seja levado à cozinha para comer e trocar de pala. Embora tal recurso possa ser interpretado como uma metáfora para o tédio da espera durante a guerra, o resultado prático para o leitor é uma experiência de leitura cansativa.
A verossimilhança e a coesão narrativa também enfrentam desafios: i) Os cadernos de Manuela apresentam um problema de perspectiva. A personagem relata em primeira pessoa eventos que não testemunhou, chegando a assumir a voz do próprio Bento Gonçalves, o que fere a lógica do gênero "diário"; ii) A obra falha, também, ao dosar o realismo com o místico. Elementos como o cometa avistado por Manuela no início ou a premonição de Dona Ana sobre a morte de seu filho Pedro são introduzidos, mas carecem de desenvolvimento ou conclusão, deixando pontas soltas na trama.
Por fim, o manejo do vasto elenco de personagens revela-se problemático. Após apresentar uma multidão de figuras no início da história, a autora parece optar pelo descarte. Muitos personagens são eliminados ao longo do enredo não por uma necessidade dramática do ápice, mas por parecerem não ter mais função ou sentido dentro da economia narrativa da obra.