A paixão segundo G. H.

Rocco DigitalClarice Lispector
R$ 29,90
  • Páginas
    192
  • Tamanho
    1,59 MB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2020

Ficha técnica

Sinopse

Clássico de Clarice Lispector que inspirou o filme A Paixão de G.H., do diretor Luiz Fernando Carvalho com Maria Fernanda Cândido.

Clarice, me dá tua mão.

Tudo parece de novo impossível nesse frêmito de eternidade que é o presente, mas confio na nossa aproximação: aconteceu daquela vez o impensável; adaptar A paixão segundo G.H. para o teatro. Não fui sozinha como você, embora quando estive ali, cara a cara com a barata, era eu mesma, sozinha como um caco de vidro, um cachorro e uma galinha estão sós e cara a cara.

Com o quê?

Consigo.

Eu fui, ao encarnar durante mais de dois anos a G.H. num monólogo para o teatro – adaptado por Fauzi Arap e dirigido por Enrique Díaz –, uma pessoa sem a pessoa que eu era antes para fazer companhia para mim mesma. Fui perdendo as cascas, o invólucro, mergulhando em águas cada vez mais densas e profundas, perdendo o contorno humano, transladei para outra, outro lugar, desconhecido, terrível e maravilhoso, que não eu.

Mas houve as mãos que me ajudaram na travessia.

As suas mãos, Clarice.

As suas mãos de escritora que tantas vezes anseiam as nossas para irmos contigo, nessa grande odisseia de uma mulher que viaja para dentro de si e se despersonaliza. Ela desvira o Eu. Ela se te revira. Não é brincadeira o que acontece aqui, é coisa que se lê e se toma e entra no próprio sangue, é saber xamânico, potente, destruidor e revivificador. Nada se cria sem desfazer essas camadas de noções fossilizadas sobre nós mesmos e o mundo. Tuas palavras agem sobre mim, ainda e sempre.

Agora, neste ano de 2020, é seu aniversário de 100 anos.

A paixão foi escrito em 1964. Imagino você aqui escrevendo sobre o agora, o momento presente atravessando as paredes de sua casa e de seu corpo e se metamorfoseando em palavras que você escreve e essas palavras agem, transformam a vida.

Nós estamos olhando a vida que se nos olha, Clarice.

A vida se nos é, e se me é, tão radicalmente agora, que voltei a andar com teu livro colado em mim. Livro que é registro desse tempo eterno onde fracassamos e vamos de novo, com o fracasso das nossas existências e palavras.

Das milhares de apresentações possíveis que eu poderia fazer, eu escolho dizer sim; sim, leia este livro como experiência que se vive. Entrar pelo corpo, e ir com as palavras mais "pelo que elas fazem do que pelo que elas falam", ir com G.H., atravessando esses portais e ir se perdendo nas paredes, nos hieróglifos da casa, nas marcas deixadas pelo outro, e ir indo, parando e recuperando o fôlego até mergulhar completamente nesta obra extraordinária que nunca mais vai parar de acontecer.
Mariana Lima, Atriz e produtora

Especificações do produto

  • Autor (a)Clarice Lispector
  • GêneroLiteratura e Ficção
  • EditoraRocco Digital
  • Páginas192
  • Ano2020
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9786555950052
  • Tamanho1,59 MB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

Laura ✦24/07/2026
Resenha com spoilers
Minha mente fica assim quando tô ansiosa
Gostei bastante. É como se a maioria dos livros fossem músicas com uma letra boa, que você entende junto com a melodia. Mas esse livro é uma música instrumental; não é explícito, mas você entende e sente o que ele tá te passando
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mel gomes17/07/2026
Resenha com spoilers
fantasticamente fantástico! faz total juz ao ser nominada a maior obra dela sem ter muito o que dizer, não é um livro para se dizer na verdade
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Thiago Telles04/07/2026
Resenha com spoilers
Realmente fala sobre a experiência feminina, de uma maneira profunda e bem difícil de entender.. só sentindo pra entender um pouco melhor, e eu nao consegui👽 Achei tão confuso e bagunçado, eu lia e sei la parecia que eu era um não-humano porque não entendia nada, esse livro não foi feito pra pessoas como eu o lerem Mas foi interessante acompanhar a gh pensando nas coisas mais aleatórias possíveis por causa da morte de uma barata🥸 Fiquei triste pensando sobre quando a gh começou a falar sobre os ovários da barata e como ela se via naquele bicho repugnante, que no fundo era igual ela de certa forma Bem subjetivo da parte dela se ver em uma barata e sentir a vontade de provar ela como um todo Help.. weird mas eu entendi
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