Cães negros

Companhia de BolsoIan Mcewan
R$ 29,90
  • Páginas
    168
  • Tamanho
    1,37 MB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2021

Ficha técnica

Sinopse

O lado mais sombrio da humanidade, o trauma do passado, uma história de amor. Com sua prosa única, McEwan está em seu melhor em Cães negros.

June e Bernard, membros do partido comunista inglês, se conhecem em Londres, em 1946. Apaixonam-se perdidamente e decidem se casar. Mas durante a lua-de-mel, na França, um acontecimento misterioso altera para sempre a percepção de mundo de June. Anos depois, os dois acabam se separando.
No fim dos anos 1980, Jeremy, o genro do casal, tenta compreender como um amor tão profundo não resistiu às diferenças ideológicas. E é lendo os escritos da sogra que ele descobrirá o que ocorreu anos atrás.
Tendo como pano de fundo a Europa pós-Segunda Guerra e as marcas deixadas pelo conflito, McEwan usa seu estilo cristalino para elaborar com precisão uma história sobre o lado mais sombrio da humanidade, e seu constante ataque ao amor.

"Brilhante. Uma reflexão impressionante sobre o poder do amor." — The New Yorker

Especificações do produto

  • Autor (a)Ian Mcewan
  • Tradutor (a)Daniel Pellizzari
  • GêneroLiteratura e Ficção
  • EditoraCompanhia de Bolso
  • Páginas168
  • Ano2021
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9786557825297
  • Tamanho1,37 MB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

Resenha com spoilers
Uma história de amor, política e religião
A paixão de um casal jovem, entusiasta da ideologia do partido comunista inglês, é o ponto de partida desse romance curto do autor britânico Ian McEwan. Um evento quase místico — o encontro com dois ferozes cães negros — vai mudar a história de June e Bernard, suas convicções políticas, religiosas e conjugais. A narrativa se desenrola pelo tempo, em uma Europa logo após a Segunda Guerra Mundial — onde traços do nazismo ainda são visíveis — até a queda do muro de Berlim. O texto de Ian McEwan transita entre a elegância e a precisão à medida que fatos das vidas de June e Bernard vão sendo revelados. Tradução de Daniel Pellizzari.
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Resenha com spoilers
Uma inadequada vida à dois
Cães Negros, romance publicado em 1992. Busca ser um livro de memórias, em que Jeremy, relata em primeira pessoa as memórias de seus sogros. Bernard, um comunista, materialista convicto. June, uma ex-comunista, agora crente num Deus, que rege e dá significado à vida. Essa é a trajetória do livro, em 4 capítulos extensos, Jeremy relata situações isoladas na vida do casal que estarão sempre permeados por sugestões sobre os cães negros, fato que será explicado apenas no último capítulo do livro. Cabe lembrar, que os cães negros, na obra, tanto quanto na literatura europeia, representam o mal (da mesma forma retratada em Cães de Bakersville), e esse mal estará presente na vida do casal durante toda a vida deles.’ Com uma narrativa impecável, o livro é bom. Porém, a temática comunismo, religiosidade, materialismo e metafísica, são temas fora de moda hoje, em pleno ano 2024, as pessoas não têm interesse nesses temas, sendo talvez, esse o motivo de muitos acharem um livro raso e sem uma temática atraente. Mas também cabe ressaltar a vida amorosa desse casal, que ao perceber-se inadequados um ao outro, partem por caminhos separados, mas não conseguem se largar. O que nos faz refletir como esses laços invisíveis nos amarram, nos moldam e nos direcionam pela vida. Ao meu gosto agradou muito, funcionou muito bem a narrativa, como a de um livro de memórias, gostei da narrativa ambientada no sul da França, e surpreendeu a abordagem entre materialismo x metafísica. Àqueles que gostarem dessa temática, irão se deparar com uma ótima obra, já àqueles que não são atraídos por tais temas, melhor partir para outro título do autor, visto que sua escrita e narrativa são impecáveis.
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Resenha com spoilers
A Existência Do Mal
Publicado em 1992, Cães Negros é o quinto romance de Ian McEwan. Provocativo, ele pode ser compreendido com uma meditação sobre a natureza do bem e do mal no formato de um livro de memórias, narrado por um órfão, Jeremy, atraído pelos pais de outras pessoas, em especial, pelos pais de Jenny, sua esposa. Eles são June e Bernard Tremaine. Quando os dois se conheceram, eram simpatizantes do Comunismo, entretanto os temperamentos e as experiências de cada um, levaram-nos a caminhos opostos, causando a separação por motivos ideológicos e espirituais, contudo tal decisão não foi capaz de diminuir o amor que sempre os uniu. O evento catalisador ocorreu durante a lua de mel do casal, em 1946, tendo como cenário o bucólico interior da França. Nesta época, June já se sentia desencantada com o rumo do Partido Comunista Inglês no Pós-Guerra e seu encontro com dois cães, negros e de grande porte, foi entendida por ela tal qual um embate com “encarnações de erupções selvagens e irracionais que se refazem através da história”, sendo o nazismo uma dessas manifestações. Enfim, um insight que lhe proporcionou uma perspectiva redentora, capaz de dar um novo sentido para sua vida. Resumidamente, os animais são uma metáfora para a existência do mal e este episódio é descrito minuciosamente no último capítulo, quando leitor provavelmente já se decidiu, ou se confundiu entre o misticismo de June e a racionalidade de Bernard. Aliás, que me recorde só em “O Cão dos Baskervilles”, de Sherlock Holmes, a malignidade canina, apresentada como uma ameaça sobrenatural, foi explorada de modo tão perspicaz. A questão fundamental é se o romance, sobretudo, esta cena são suficientes para tirar o leitor de sua zona de conforta e creio que McEwan ficou devendo em concisas 172 páginas. Por sinal, 25 anos depois de seu lançamento, a queda de braço de June e Bernard perdeu o viço diante de questões atuais. Na verdade, o confronto entre o ateísmo comunista e a crença religiosa não está no topo das discussões após o fim da União Soviética, a ascensão da ultradireita e do neoliberalismo, portanto o livro envelheceu mal em três décadas. Todavia, um romance datado de McEwan é melhor do que muita literatura propangadeada como fora de série. O escritor tem o completo domínio narrativo, sabe apresentar protagonistas tridimensionais e, se para ele o amor nem sempre é uma virtude, também não implica num luminoso final feliz. Enfim, recomendo especialmente aos admiradores de McEwan que poderão comparar Cães Negros com outros livros de sua autoria.
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