Ficha técnica
Sinopse
A consagrada tradução do especialista em grego, Mário da Gama Kury
Édipo, rei de Tebas, acredita ser filho do rei Pôlibo de Corinto e de sua rainha. Ele havia se tornado governante de Tebas depois de salvar a cidade desvendando o enigma da Esfinge que vinha devorando os tebanos, incapazes de decifrar os enigmas propostos pelo monstro. Como Laio, o rei de Tebas havia sido morto durante uma viagem, Édipo casa-se com a rainha viúva, Jocasta, e assume a coroa. Édipo havia deixado Corinto para sempre porque um oráculo profetizou que ele mataria seu próprio pai e se casaria com sua mãe. Na viagem de Corinto para Tebas, Édipo encontra um homem velho e cinco servos. Sem saber que se trata de Laio, seu verdadeiro pai, Édipo discute com ele e, num ataque de arrogância, mata o homem e seus servos. Por muitos anos Édipo governa Tebas como um grande e valente rei. Até que uma peste começa a dizimar os habitantes da cidade e Édipo ordena uma consulta ao oráculo Tirésias. Tirésias lhe revela então que todo infortúnio que se abate sobre a cidade é causado por ele próprio, por ter assassinado o pai e casado com a própria mãe.
Especificações do produto
- Autor (a)Sófocles
- GêneroLiteratura e Ficção
- EditoraExpresso Zahar
- Páginas86
- Ano1990
- Edição1ª
- IdiomaPortuguês
- ISBN9788537809815
- Tamanho169 kB
- Idade indicadaLivre
Resenhas no
Resenha com spoilers
Penúltimo: tem que ler fia, é contrato
O querido toma no cu antes de saber que tá tomando. Não existe um vilão, só existe o destino. E o Freud gostou, né?
Resenha com spoilers
I ❤️ Tragédias Gregas
A tragédia de Édipo e Jocasta é uma das mais emblemáticas do teatro grego. Apesar de muito conhecida, a história é aterradora do início ao fim, e é impossível se manter indiferente quando, perdido em sua dor abismal, Édipo, com seu discurso para lá de sofrido e envergonhado, fura os seus olhos, preferindo as trevas eternas às possibilidades de ter de encarar alguém e contemplar, assim, a sua absurda vergonha refletida.
Pobre Édipo...
Resenha com spoilers
EÌdipo Rei (SoÌfocles). O livro discute a tragédia grega "Édipo Rei", escrita por Sófocles, um dos grandes dramaturgos da Grécia Antiga. Sófocles viveu no século V a.C. e escreveu mais de 120 peças, embora apenas algumas tenham sobrevivido. A época era marcada pelo apogeu da cultura helênica, com o governo de Péricles incentivando as artes e a participação popular no teatro. As pessoas que assistiam às peças já conheciam os mitos, o que tornava o impacto da apresentação mais sobre a interpretação criativa do autor do que sobre a história em si. A peça começa no meio da narrativa, com Édipo já sendo rei e envolto em uma maldição que afeta sua família através das gerações. A maldição da dinastia dos Labdácidas é introduzida, com o rei anterior, Laio, sendo uma figura central. Laio, descendente de Cadmo, também enfrenta sua própria tragédia, sendo chamado para criar seu filho, Crisipo, que também acaba sendo seu amante. Esta ligação levará a complicações, culminando na maldição que recai sobre Laio e sua família, com uma profecia de que ele será morto, o que causa uma sequência de eventos devastadores. Os deuses, ao tomarem conhecimento da maldição, enviam uma esfinge, o que intensifica os conflitos que se desdobram na história de Édipo, revelando a interconexão entre as ações humanas e as relações divinas na tragédia que se desenrola. Assim, Creonte viaja ao Oráculo para descobrir a origem da praga que afligia Tebas. O espírito do oráculo, considerado um mensageiro dos deuses, revela que a peste é resultado do assassinato não expiado do rei Laio, o que desencadeia a necessidade de encontrar o culpado para restaurar a ordem. Édipo, determinado a salvar seu povo, promete localizar o assassino de Laio e se vingar, sem saber que ele próprio é o responsável. A busca por respostas leva Édipo a questionar diversos personagens, incluindo o profeta cego Teiresias, que, relutante, revela a verdade sobre a origem da maldição. Teiresias sugere que Édipo deve encarar seu próprio passado e aceitar as atrocidades que cometeu, mas Édipo se recusa a acreditar que possa estar ligado a tal tragédia. Com a insistência de Édipo, a verdade começa a se descortinar, e ele vai se tornando cada vez mais ciente de sua própria história. A revelação de que ele matou seu pai, Laio, em uma encruzilhada e se casou com sua mãe, Jocasta, traz à tona os temas centrais da peça, como a inevitabilidade do destino e a cegueira do conhecimento. À medida que os eventos se desenrolam, Édipo passa de herói a um trágico símbolo de orgulho e ignorância. A peste em Tebas gradualmente se intensifica, refletindo o caos interno de Édipo. Jocasta, ao descobrir a verdade, sucumbe a sua dor e se mata, enquanto Édipo, em um momento de desespero, decide cegar-se, simbolizando sua percepção tardia. A peça, através da figura de Édipo, questiona a relação entre humanidade, moralidade e os desígnios divinos, desafiando o público a considerar as consequências de suas ações e a buscar o autoconhecimento. A estrutura da peça, com seus reveses e revelações, estabelece "Édipo Rei" como um modelo de tragédia, influenciando pensadores como Aristóteles e Freud, que findaram suas teorias sobre a condição humana em reflexões que se originam da complexa narrativa de Sófocles. A agente da tragédia se intensifica quando Creonte retorna do Oráculo de Delfos e revela que a enfermidade na cidade é consequência do assassinato de Laio ainda sem resolução. Édipo, confiando em sua própria capacidade e em sua posição de herói, assume a responsabilidade de desvendar o crime, fazendo um chamado para que qualquer informação sobre o assassino seja compartilhada. Essa busca pela verdade transforma a narrativa em uma espécie de mistério policial, onde Édipo se torna o investigador de sua própria desgraça. A introdução do coro, que é uma figura coletiva representando os cidadãos de Tebas, cria um espaço de diálogo e reflexão ao longo da peça. O líder do coro aconselha Édipo a buscar Tirésias, o oráculo cego e respeitado, simbolizando a conexão entre a sabedoria divina e a condição humana. Quando Tirésias finalmente aparece, ele hesita em revelar a verdade a Édipo, prevendo que, ao fazê-lo, vidas serão abaladas. A resistência de Tirésias gera tensão, pois Édipo, determinado e arrogante, insiste em obter respostas. A interação entre Édipo e Tirésias se degrada em um confronto intenso, resultando em acusações e desconfiança. Tirésias, em suas provocações sutis, sugere que Édipo é, na verdade, o responsável pela tragédia que aflige Tebas, queimando seu orgulho com a revelação de verdades sombrias. A resposta imediata de Édipo é a negação, deslocando a culpa para Creonte, acusando-o de conspirar contra ele. Esse conflito familiar provoca uma divisão entre os personagens, aumentando a sensação de desespero e de crise moral. Enquanto isso, Jocasta entra na disputa, tentando apaziguar os ânimos, mas sua própria perspectiva sobre os oráculos e profecias revela uma crescente dúvida sobre a validade das palavras de Tirésias. Essa crise de fé cria uma atmosfera de incerteza na peça, refletindo não apenas sobre o destino individual de Édipo, mas também questionando a confiança na fortuna e nas divindades. A discussão se transforma em um choque de valores, com os personagens enfrentando as consequências de suas crenças e ações, enquanto o destino inexorável de Édipo se aproxima, como uma sombra que se estende sobre todos os habitantes de Tebas. Jocasta descreve como, ao ter seu filho, foi informada de que ele mataria Laio, o pai, e que, para evitar tal destino, o entregou a um servo com a ordem de ser morto. No entanto, o servo o abandonou em uma montanha, e ele acabou sendo resgatado e adotado pelos reis de Corinto. Édipo, ao ouvir essa história, começa a desconfiar e decide consultar o oráculo, onde descobre que, ao fugir de casa, a profecia se concretizaria. A sequência de eventos é marcada por coincidências que culminam em um conflito no qual Édipo, involuntariamente, mata Laio em uma briga, sem saber que era seu pai. Com o desenrolar da narrativa e a revelação de que seu pai não era realmente o rei de Corinto, mas sim um desconhecido, Édipo se vê cada vez mais aprisionado em uma teia de fatalidade. A insistência de Édipo em procurar a verdade o leva à angustiante descoberta de que Jocasta, sua esposa, é na verdade sua mãe. Ao confrontar essa terrível realidade, Édipo é consumido pelo desespero e decide se cegar, não podendo mais suportar a visão da vida que agora considera insuportável. Com a morte de Jocasta, que se enforca ao entender a verdade, Édipo assume seu destino, determinando que deve ser exilado para pagar por seus crimes, em conformidade com a lei que estabeleceu no início. Assim, Ele entrega seus filhos a Creonte, reconhecendo que não pode ser mais um pai, pois a maldição que o acompanhava se estende a eles. Édipo vai se apresentar ao povo de Tebas, numa forma de assumir suas responsabilidades e, ao mesmo tempo, questionar a falta de compaixão dos deuses que permitiram que tal tragédia se desenrolasse em sua vida, demonstrando a complexidade do humor trágico que permeia a obra. Édipo questiona a fé e a permissividade dos deuses diante de tanto sofrimento. Ao longo da peça, ele reflete sobre sua ignorância em relação à sua linhagem e aos eventos passados de sua família, o que evidencia a tragédia de sua trajetória. A conversa entre Édipo e Jocasta lança luz sobre a questão do complexo de Édipo, onde Jocasta tenta acalmar Édipo, afirmando que não há motivos para medo sobre suas relações, argumentando que muitos mortais sonham com suas mães. Esse diálogo ressalta a ignorância de Édipo sobre sua verdadeira origem, apesar da realidade que eventualmente se revela, colocando em destaque a ironia da situação. À medida que a tragédia se desenrola, fica evidente que os esforços de Jocasta e Édipo para alterar o destino se mostram infrutíferos. Ambos tentaram contornar a profecia Jocasta tentando eliminar Édipo e Édipo fugindo de sua origem mas falharam ao se deparar com a inevitabilidade do destino. Isso reforça a ideia de que os seres humanos são meras peças nas mãos dos deuses, e a única escolha que lhes resta é a busca pela verdade. Édipo, ao tomar conhecimento da verdade, enfrenta a realidade de suas ações o assassinato do pai e o casamento com a mãe, ações que, embora horríveis, foram cometidas em meio à ignorância. A profundidade da experiência humana, conforme ilustrada por Sófocles, sugere que o heroísmo se manifesta na coragem de buscar a verdade, mesmo que essa busca leve à dor e à tragédia. Além disso, o comentário sobre a recepção da obra ao longo dos séculos, com a associação ao complexo de Édipo de Freud, enfatiza as diferenças entre as interpretações do texto grego e os conceitos psicanalíticos. A obra se destaca não apenas pelo enredo trágico, mas pela exploração das limitações do conhecimento humano e a luta contra o desconhecido. A reinterpretação de Édipo e sua postura heróica, ao aceitar sua punição e se sacrificar pelo bem de Tebas, solidifica a complexidade da personagem e a profundidade da tragédia grega.
Em busca de um aprofundamento do contexto histórico da peça, ressalto a importância de compreender as leis e a sociedade ateniense do século 5 a.C. O estudo da obra não se limita à narrativa trágica, mas abrange a análise da condição humana frente às forças divinas, revelando a grandeza e a fragilidade do ser humano, que mesmo diante da derrota e do sofrimento, revela um heroísmo singular, algo que os deuses não podem experienciar. Assim, a jornada de Édipo se torna um poderoso símbolo da busca pela verdade e da luta contra as imposições do destino.
12 resenhas totaisVer todas no Skoob
