Travessuras da menina má

AlfaguaraMario Vargas Llosa
R$ 39,90
  • Páginas
    304
  • Tamanho
    720,83 kB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2013

Ficha técnica

Sinopse

Mario Vargas Llosa narra a arrebatadora paixão de Ricardo e Lily, em uma história de encontros e desencontros ao longo de quatro décadas.

Nos anos 50, no bairro aristocrático de Miraflores, em Lima, o jovem Ricardo Somocurcio se apaixona pela estonteante e misteriosa "chilena" Lily. Depois de descobrir que, na verdade, ela é peruana e de origem humilde, ele a perde de vista, mas não consegue esquecê-la. 
Ricardo, um intérprete da ONU sem grandes ambições, e Lily, mulher fria e manipuladora que vive mudando de nome e de marido conforme as conveniências, se reencontram ao longo da vida, em diferentes momentos e em várias cidades do mundo.  Travessuras da menina má conta esta história de encontros e desencontros através de quatro décadas.
Ao mesmo tempo em que conta a história de uma paixão arrebatadora,  Travessuras da menina má traça um panorama de transformações sociais e políticas ocorridas na Europa e na América Latina.


"Mario Vargas Llosa nos presenteia com o mais divertido, apaixonado e comovente romance de todos que já escreveu." –  El País

Especificações do produto

  • Autor (a)Mario Vargas Llosa
  • Tradutor (a)Paulina Wacht,Ari Roitman
  • GêneroLiteratura e Ficção
  • EditoraAlfaguara
  • Páginas304
  • Ano2013
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9788579621666
  • Tamanho720,83 kB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

Eloá V.31/05/2026
Resenha com spoilers
Travessuras da Menina Má foi um livro que li há alguns anos e, mesmo quando esqueci o nome do livro, nunca o esqueci de fato. Vi algumas resenhas e percebi que realmente detestam a Menina Má. Não tiro a razão de ninguém, pois cada um tem sua perspectiva. Honestamente, vi além de suas atitudes. Estou longe de justificar atitudes ruins, mas acredito que, em grande parte dos momentos, eu me vi nela. Superestimam demais a dor do Ricardinho, mas arrisco dizer que a Menina Má tinha uma dor que nem mesmo ele poderia curar. Acredito que a moça jamais poderia se permitir despir a alma sem se sentir em perigo. Vivia correndo até mesmo daquilo que sabia que não teria força suficiente para ameaçá-la. Passou a vida inteira buscando "poder" para sentir, por algum momento, que era alguém, mesmo já sendo. Não via isso. Ela queria tudo e não tinha nada. Nem mesmo a si própria, já que se sentia suja por ter que se deitar com tantos. Se colocando para sempre como escrava, sendo predestinada a ser daqueles que podiam comprá-la. O que leva alguém a fugir daquilo que mais anseia? Seria o medo do que o risco de amar a levaria a sentir? Acho que nem mesmo o Ricardinho poderia lidar com a vastidão que era a Menina Má. Acho que essa história vai além da dor do Ricardinho. Vai da dor do não pertencimento, não só de si, mas também do outro.
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Beatriz Marques07/04/2026
Resenha com spoilers
Livro que encanta
Cheio de fatos históricos e aventuras da Menina Má. Passamos o livro inteiro torcendo e odiando essa Menina (que tem diversos nomes). No fim, fiquei triste por Ricardito. Pobre coitado passou a vida toda atrás de uma pessoa que não valia nada
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Carla Parreira25/06/2025
Resenha com spoilers
Travessuras da menina má (Mario Vargas Llosa). O livro, publicado em 2006, é considerado uma homenagem a "Madame Bovary" de Flaubert, embora as histórias não sejam diretamente relacionadas. A protagonista feminina, que desafia as convenções sociais, é semelhante a outras personagens literárias como Emma Bovary e Anna Karenina, que também enfrentam castigos por sua rebeldia. A narrativa não é uma história de amor convencional, mas sim um relacionamento tortuoso entre o protagonista e a "menina má", que reaparece em diferentes momentos da vida do narrador, mudando de nome e situação. Essa dinâmica lembra o reaparecimento de Jean Valjean em "Os Miseráveis", mas, ao contrário do personagem amado, a "menina má" é detestável, mesmo quando a narrativa tenta gerar empatia por ela. Eu analisei a complexidade da infância da "menina má", que é apresentada como uma justificativa para suas ações problemáticas na vida adulta. Existe a tendência da literatura em explorar histórias de personagens com passados tristes, questionando a ausência de narrativas sobre aqueles que superam dificuldades e se tornam pessoas boas. Vargas Llosa, apesar de seu passado revolucionário, se tornou um conservador, e "Travessuras da Menina Má" foi escrito após ele receber o Prêmio Nobel de Literatura em 2010, com "Conversa no Catedral" sendo o livro destacado durante a premiação. A obra se desenrola ao longo de cinco décadas, acompanhando a vida do protagonista que sonha em viver em Paris e se torna tradutor, aprendendo várias línguas e se desenvolvendo na profissão. A relação entre o protagonista e a "menina má" é marcada por um amor tortuoso, onde ela reaparece em sua vida em diferentes momentos, sempre buscando ascensão social e desdenhando de sua vida. O protagonista, apesar de suas conquistas, é tratado como "coisinha à toa" por ela, que o utiliza quando precisa, mantendo uma dinâmica de amantes ao longo de suas vidas. O livro contém cenas eróticas descritas de forma direta e sem romantismo, o que provoca uma reflexão sobre a representação da sexualidade na literatura. Essas cenas não são meramente gratuitas, mas servem a um propósito dentro da narrativa, contribuindo para a construção dos personagens e suas relações.narrativa, a relação entre o protagonista e a "menina má" se torna cada vez mais desgastante. O amor romântico que ele sentia no início se transforma em uma dinâmica de manipulação e desilusão. A "menina má" continua a mentir sobre sua origem e suas intenções, revelando-se uma personagem que busca constantemente ascensão social, utilizando os outros para alcançar seus objetivos. O protagonista, por sua vez, se torna um observador de sua própria vida, percebendo que suas tentativas de se conectar com ela são frequentemente frustradas. Através de suas interações, fica evidente que a "menina má" não se importa verdadeiramente com a política ou com as causas que diz apoiar; sua militância parece ser apenas uma fachada para conseguir o que deseja. O protagonista, ciente de suas mentiras, evita confrontá-la diretamente, mas a cada reencontro, ele se vê preso em um ciclo de esperança e decepção. A narrativa se desenrola em diferentes cenários, incluindo Paris e Tóquio, onde a "menina má" aparece em situações cada vez mais complicadas, como casada com um gangster japonês, o que acentua a ideia de que sua busca por status e segurança é repleta de riscos. A obra possui elementos autobiográficos, refletindo as experiências de Vargas Llosa com mulheres em sua juventude, embora não se possa afirmar com certeza se a "menina má" é baseada em uma pessoa real. A relação entre os dois personagens é marcada por um padrão de amor e abandono, onde ele sempre acaba se apaixonando novamente, mesmo sabendo que ela o deixará em uma situação difícil. Essa repetição de ciclos amorosos e a constante manipulação da "menina má" criam uma narrativa que, embora cansativa, revela a complexidade das relações humanas e a busca por identidade e aceitação em um mundo repleto de ilusões. A "menina má", mesmo após ter sido resgatada e cuidada, revela-se uma figura que não consegue se desvincular de suas mentiras e do ciclo de dependência que criou. A relação deles, inicialmente marcada por um resgate e um novo começo, logo se transforma em um novo tipo de prisão emocional para o protagonista, que se vê cada vez mais consumido pela necessidade de agradá-la e de mantê-la ao seu lado. Quando ela decide deixar um bilhete e partir, o impacto é devastador. Ele se sente traído e abandonado, levando-o a um estado de depressão profunda. A fragilidade emocional dele se intensifica, resultando em problemas de saúde, como um AVC, que simboliza a culminação de seu sofrimento. A narrativa explora a complexidade da relação entre amor e dor, mostrando como a "menina má" não é apenas uma figura sedutora, mas também uma força destrutiva na vida do protagonista. Enquanto isso, a amizade com o casal de médicos e a criança vietnamita se torna um ponto de luz em meio à escuridão. A interação entre a "menina má" e a criança, que começa a falar graças à sua presença, traz um contraste interessante, evidenciando que, apesar de suas falhas, ela ainda possui a capacidade de gerar conexões significativas. No entanto, essa nova fase também é marcada por complicações, já que a necessidade de documentos legais para que ela possa se estabelecer corretamente na sociedade a leva a envolver ainda mais pessoas em suas trapaças. A proposta de casamento surge como uma solução temporária para a regularização da situação dela, mas a fragilidade da relação é evidente. O protagonista, mesmo ciente das manipulações, continua a se deixar levar pela esperança de que ela mudará. A narrativa se aprofunda na psicologia dos personagens, revelando como a "menina má" se torna um símbolo de desejo e destruição, enquanto o protagonista se transforma em um reflexo de amor não correspondido e de autoanulação. A história avança, mostrando que, mesmo após a partida dela, as cicatrizes emocionais que ele carrega são profundas e duradouras, levando-o a questionar sua própria identidade e valor. Após o AVC, sua capacidade de ser intérprete se reduz, levando-o a se dedicar apenas a traduções literárias. A relação com a "menina má" se torna um jogo de idas e vindas, onde eles brigam e se reconciliam repetidamente. O grande castigo dela não é apenas o sofrimento que impõe a si mesma, mas a doença grave que contrai em Tóquio, que a leva a retornar em um estado debilitado. Ela oferece a ele uma herança, incluindo propriedades e ações, mas ele hesita em aceitar, mesmo sabendo que ela precisa de ajuda. O desfecho da história é trágico, com ela adoecendo gravemente e ele cuidando dela nos últimos meses de vida. A narrativa revela um relacionamento marcado por obsessão e dependência, onde ele se sente vivo apenas na presença dela, mesmo reconhecendo que ela é uma figura destrutiva. A vida dele é repleta de desgraças amorosas, incluindo traições de outras parceiras, o que reforça a ideia de que ele tem um "dedo podre" para relacionamentos. A dinâmica entre eles é complexa, com ela sempre retornando quando precisa, sabendo que ele estará lá para cuidar dela. Ele se entrega completamente, gastando seus recursos para garantir seu bem-estar, o que revela uma abnegação que beira a autoanulação. A repetição da ideia de que ela, mesmo aos 48 anos, ainda é deslumbrante, serve para enfatizar a sua beleza duradoura, contrastando com o seu estado final de deterioração. A história, embora esquisita e repleta de coincidências, proporciona uma experiência catártica, levando o leitor a refletir sobre a natureza das relações de amor e dependência. Vargas Llosa constrói uma narrativa que, apesar de não ser agradável, oferece um olhar profundo sobre a obsessão e a necessidade de ter alguém que, mesmo sendo nocivo, se torna essencial para a vida do protagonista. Ele poderia ter levado uma vida tranquila, viajando e trabalhando em diversos países, mas opta por uma existência marcada pela turbulência que a "menina má" traz. Essa dependência dela se torna um motor para sua vida, que, sem ela, seria monótona e sem graça. O livro provoca uma reflexão sobre relacionamentos tóxicos, onde a aceitação de comportamentos destrutivos se torna um padrão. A narrativa é desconcertante, lembrando obras como "1984", onde o leitor sente um alívio ao terminar, mas também uma inquietação. A presença da "menina má" é como um lembrete constante de que ele está preso em um ciclo de aceitação de suas falhas, esperando que ela mude. A escova de dentes que ela deixa em seu apartamento simboliza essa conexão persistente, um lembrete de que ela pode voltar a qualquer momento. Vargas Llosa utiliza essa relação para expor a fragilidade das escolhas humanas e a tendência de se apegar a pessoas que trazem mais dor do que alegria. A comparação com personagens como Ana Karenina e Madame Bovary é pertinente, mas a "menina má" se destaca por sua índole realmente negativa, tornando difícil qualquer defesa de suas ações. O protagonista, mesmo reconhecendo suas próprias dificuldades, se vê preso a essa dinâmica, incapaz de aprender com os erros do passado. A irritação que os personagens provocam no leitor é um reflexo da frustração com a falta de crescimento e aprendizado, levando a uma análise crítica sobre a aceitação de comportamentos prejudiciais. Embora o livro tenha seus méritos e seja considerado uma obra importante da literatura latino-americana, a experiência de leitura pode ser desafiadora e desconfortável. A presença de cenas mais quentes pode atrair leitores de romances, mas a complexidade emocional e a natureza irritante dos personagens podem afastar outros.
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