O anatomista

BertrandFederico Andahazi
R$ 17,94
  • Páginas
    168
  • Tamanho
    1,19 MB
  • Idioma
    Português
  • Idade indicada
    Livre
  • Ano de Publicação
    2015

Ficha técnica

Sinopse

Os anatomistas – na Renascença – eram estudiosos do corpo humano. Mateo Colón era um desses anatomistas e, em meados do ainda obscuro século XVI, se apaixona por uma belíssima prostituta veneziana – Mona Sofia. Mas a cortesã desdenha friamente dos sentimentos de Mateo. Ele inicia, então, a busca por uma poção, uma substância, qualquer coisa que possa fazer com que Mona se apaixone por ele. Pensando na mulher amada é que ele descobre as maravilhas operadas por uma parte da anatomia – e da alma – feminina totalmente desconhecida até então: o Amor veneris, ou, como é mais conhecido hoje, o clitóris. Porém, para transmitir seus novos conhecimentos a Mona, Mateo precisa antes enfrentar o horror da Inquisição.
Neste romance, Federico Andahazi combina todo o ardor e a elegância do seu estilo com uma visão cruel do ser humano, atingindo a fórmula da sedução irremediável do leitor.

Especificações do produto

  • Autor (a)Federico Andahazi
  • GêneroPolicial e Suspense
  • EditoraBertrand
  • Páginas168
  • Ano2015
  • Edição
  • IdiomaPortuguês
  • ISBN9788528619980
  • Tamanho1,19 MB
  • Idade indicadaLivre

Resenhas no

Eliceli Bonan06/08/2022
Resenha com spoilers
Brilhante!
O livro é uma obra de ficção sobre a vida de Mateo Realdo Colombo, o primeiro anatomista a descrever o clitóris feminino como um órgão. Italiano da época da Renascença, Colombo "descobriu" o órgão por acaso, ao consultar uma de suas pacientes. Escreveu a respeito, na obra "De Re Anatomica", em 1559, que o levou a ser julgado pela Inquisição e sua obra à lista de livros proibidos pela Igreja Católica. O argentino Andahazi é brilhante em "O Anatomista" não só pela construção do enredo, que deixa o leitor sem fôlego do início ao final. Mas também pela notável localização histórica que faz, mostrando a visão da Renascença sobre o feminino. O discurso de Colombo diante do tribunal da Inquisição é fenomenal nesse sentido: numa época em que mulheres são seres sem alma, portanto, tudo nelas é matéria, nada nelas é sagrado, nada pode ser virtude se esta não for transmitida à mulher por meio dos homens. Ele segue o pensamento de Aristóteles, segundo o qual, na concepção, o homem é que dá a alma, a substância metafísica, e a mulher a substância material. Ou seja, a imagem de Deus vem do sêmen masculino. A mulher é apenas meio, objeto para essa realização do transcende do homem. Com sua "descoberta", Colombo vive uma extraordinária aventura de tentar provar que há partes e funcionamentos do corpo humano totalmente desconhecidos e pouco entendidas até então (além do clitóris, é dele também a constatação de que o sangue humano é bombeado do coração para os pulmões, onde é novamente oxigenado antes de circular por todo o corpo). Tal qual seu homônimo, Cristóvão Colombo, que inaugura um novo mundo ao "descobrir" a América, Realdo Colombo o faz, inaugurando um novo mundo para o feminino: a descoberta da mulher como outro sexo, não complementar, mas diferente, separado e independente do masculino. A escrita de Andahazi, piscicanalista clínico, como não poderia deixar de ser, carrega a interpretação freudiana sobre a sexualidade feminina. No entanto, isso tudo pode ser filtrado para que o livro tenha melhor proveito. Recomendo a leitura! Para todos nós, que nascemos em séculos mais iluminados para as mulheres, é imprescindível conhecer os momentos muito escuros que nos precederam. Ainda uma anedota interessante que descobri, ao pesquisar sobre Realdo Colombo: há algumas cópias de sua "De Re Anatomica" espalhadas pelo mundo, feitas à mão e com desenhos de tinta a óleo, datadas de 1593. Uma delas contém anotações posteriores, assinadas por um médico chamado Dr. Franckenstayn, e está em Washington, na biblioteca Mary Shelley. É possível que a besta criada pelo anatomista Colombo tenha inspirado Shelley? Ou, para além disso, é possível que tenha inspirado um Dr. Franckenstayn, e a narrativa de Shelley seja, na verdade, um relato jornalístico? Muito misteriosas essas anotações...
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