Ficha técnica
Sinopse
"Os leitores de Ehrman nunca mais lerão os Evangelhos e as cartas de Paulo da mesma maneira."
Publishers Weekly
"O que Jesus disse? O que Jesus não disse? é uma dádiva divina."
Philadelphia Inquirer
"Este livro oferece um olhar fascinante sobre a crítica textual e sobre as alterações sofridas pelas Escrituras."
The Charleston Post & Courier
"Independentemente da sua visão do texto bíblico, esta é uma leitura gratificante."
Dallas Morning News
"Um dos best-sellers mais surpreendentes do ano."
Washington Post
Ao ler o Novo Testamento, as pessoas pensam estar lendo uma cópia exata das palavras de Jesus ou dos escritos de seus apóstolos.Contudo, por quase mil e quinhentos anos, esses manuscritos foram reproduzidos por copistas profundamente influenciados pelas controvérsias políticas, teológicas e culturais de seu tempo. São vários os erros e as mudanças intencionais nos manuscritos subsistentes, dificultando a reconstituição das palavras originais.
O que Jesus disse? O que Jesus não disse? mostra a história que está por trás das alterações que eclesiásticos políticos e copistas ignaros fizeram no Novo Testamento, causando um impacto enorme na compreensão e interpretação da Bíblia que temos hoje. Um livro que vai fascinar e surpreender tanto leigos quanto teólogos e historiadores experientes.
Especificações do produto
- Autor (a)Bart D. Ehrman
- Tradutor (a)Marcos Marcionilo
- GêneroReligião, Espiritualidade e Esoterismo
- EditoraHarperCollins Brasil
- Páginas240
- Ano2015
- Edição1ª
- IdiomaPortuguês
- ISBN9788595081406
- Tamanho3,04 MB
- Idade indicadaLivre
Resenhas no
Resenha com spoilers
Uma verdadeira obra-prima.
Bart D. Ehrman é um dos mais renomados estudiosos do Novo Testamento contemporâneo, com vasta produção acadêmica na área de crítica textual e história do cristianismo primitivo. Ex-aluno de Bruce Metzger e professor na Universidade da Carolina do Norte, Ehrman se destaca por abordar temas sensíveis da tradição cristã sob a ótica da análise crítica dos textos antigos. Em "O que Jesus disse? O que Jesus não disse?" (título original: Misquoting Jesus), o autor examina a confiabilidade textual dos evangelhos e discute até que ponto as palavras atribuídas a Jesus, segundo a Bíblia, podem ser autenticadas historicamente. O livro parte da tese de que muitos dos discursos atribuídos a Jesus sofreram alterações, adições ou omissões ao longo dos séculos por copistas e comunidades cristãs, colocando em questão a fidelidade literal dos relatos do Novo Testamento.
Ehrman investiga as origens dos evangelhos e o processo de transmissão textual dos manuscritos, destacando que, durante séculos, estes foram copiados manualmente, frequentemente por escribas não especializados. Ao analisar as variantes textuais, o autor evidencia que existem milhares de diferenças entre os manuscritos do Novo Testamento disponíveis, algumas delas com potencial para afetar interpretações teológicas significativas.
Entre os principais achados, Ehrman identifica passagens que provavelmente não remontam à fala histórica de Jesus — como o famoso episódio da mulher adúltera (João 7:53-8:11) ou o final longo do Evangelho de Marcos (Marcos 16:9-20) — e argumenta que algumas doutrinas centrais do cristianismo foram fortalecidas ou mesmo introduzidas por meio de alterações tardias. Ele utiliza evidências filológicas, como o estudo da língua original dos textos; históricas, analisando o contexto de composição dos evangelhos; e textuais, comparando diferentes versões manuscritas para sustentar suas conclusões sobre o que Jesus possivelmente disse ou não disse.
Ehrman adota uma abordagem rigorosa da crítica textual, fundamentada nas principais normas do método histórico-crítico. Sua pesquisa é caracterizada pelo cuidado na exposição dos processos de transmissão textual e pela clareza ao explicar conceitos complexos para o leitor não especialista. O mérito principal do autor está na capacidade de tornar acessível um campo frequentemente técnico e, ao mesmo tempo, mostrar a relevância desses estudos para a compreensão moderna dos textos cristãos.
No entanto, sua argumentação não está isenta de críticas. Alguns estudiosos mais conservadores argumentam que Ehrman tende a enfatizar as divergências em detrimento das inúmeras convergências entre os manuscritos e acusam o autor de extrapolar certas conclusões quanto ao impacto teológico das variantes. Por outro lado, para muitos pesquisadores do "Jesus histórico" e da crítica bíblica, o livro representa uma síntese sólida do estado da arte, embora nem todos concordem com o ceticismo de Ehrman sobre a possibilidade de reconstituir com precisão as palavras originais de Jesus.
O livro contribui de modo significativo para o campo da crítica bíblica, principalmente ao popularizar a discussão sobre a transmissão do texto do Novo Testamento e ao conscientizar o público sobre as limitações da tradição manuscrita. Não obstante, sua recepção em círculos confessionais é, em geral, mais reticente, enquanto em ambientes acadêmicos a obra é frequentemente recomendada como introdutória à crítica textual.
"O que Jesus disse? O que Jesus não disse?" foi escrito com propósito didático, sendo acessível tanto ao público leigo quanto aos iniciantes em teologia e estudos bíblicos acadêmicos. A obra despertou intenso debate, especialmente em contextos confessionais, pois questiona pressupostos tradicionais sobre a inerrância e autoridade bíblica. Nos Estados Unidos, gerou respostas críticas de apologistas cristãos, bem como debates em meios universitários, elevando o nível da discussão pública sobre a formação da Bíblia.
No contexto atual, a obra permanece relevante ao oferecer instrumentos para uma leitura mais crítica da Escritura, alertando para a historicidade complexa dos relatos evangélicos. Em uma época marcada por polarizações entre fundamentalismo religioso e ceticismo, a análise de Ehrman contribui para uma compreensão mais nuançada e fundamentada dos textos originários do cristianismo.
Conclusão:
Bart D. Ehrman, em "O que Jesus disse? O que Jesus não disse?", oferece uma investigação abrangente sobre as origens dos textos do Novo Testamento e os desafios da transmissão manuscrita das palavras de Jesus. Como pontos fortes, destacam-se a clareza explicativa, a erudição e a capacidade de envolver o leitor em questões aparentemente técnicas, mas de profundo impacto existencial e religioso. O principal mérito do livro é democratizar o acesso à crítica textual, sem perder de vista as polêmicas e sensibilidades que cercam o tema.
Por outro lado, o ceticismo de Ehrman quanto à possibilidade de recuperar as palavras exatas de Jesus pode ser visto tanto como virtude do rigor acadêmico quanto como exagero, dependendo da perspectiva do leitor ou da tradição teológica seguida.
Resenha com spoilers
Uma análise racional do Novo Testamento
Bart Denton Ehrman é um estudioso da Bíblia com foco em crítica textual do Novo Testamento, o Jesus histórico e a origem e desenvolvimento dos primórdios do cristianismo. Ele escreveu e editou 30 livros, incluindo três acadêmicos.
Erhman consegue transformar um tema complexo em um texto fácil de ser lido e compreendido. Assim, o texto é envolvente e mantém o leitor interessado.
Nesse livro ele trata de como os manuscritos do Novo Testamento foram alterados ao longo tempo, seja por motivos acidentais ou intencionais. Explica inclusive as técnicas que são utilizadas para isso, demonstrando o quão complexo é definir qual texto é o mais próximo do original. E complementa com o contexto histórico e mostrando passagens do Novo Testamento que foram incluídas, removidas ou alteradas ao longo do tempo.
Temos que ter em mente que, nos primórdios do cristianismo, a única maneira de copiar um livro era fazê-lo a mão, letra a letra, uma palavra por vez. Para dificultar, poucas pessoas sabiam ler e escrever. Segundo Erhman, existem mais diferenças entre os manuscritos do que palavras no Novo Testamento.
Essa leitura reforça a falibilidade da humanidade, ou seja, tudo aquilo que é humano, é, por natureza, falho. Isso se demostra na nossa incapacidade de copiar textos durante os séculos, seja por erro ou intenções escusas.
Naturalmente é um assunto muito polêmico, que pode desagradar muitos conforme a sua fé. Mas, na minha percepção pelo menos, o autor foca na análise de textos da Bíblia, sem a intenção direta de questionar as religiões. Apesar disso, o livro ataca a nossa inocência em relação aos textos bíblicos do Novo Testamento, e defende que se tornou um livro mais humano do que divino.
Resenha com spoilers
Bem embasado
O autor trouxe um estudo bem embasado referenciando muitas outras fontes e demonstrando como o contexto histórico e social contribuiu para que a Bíblia fosse alterada.
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